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O que aconteceu?!?

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Fronteira Ecuador-Colombia

Já faz mais de quase um ano que não atualizo o blog. O que aconteceu?

Tento recuperar na memória, não sei ao certo. Mas desde que cheguei na Bolívia não atualizei mais. Quiza, quando a Olivia deixou de atualizar eu deixei também. Ou talvez tenha começado a sentir a viagem de um jeito diferente que só me dei conta há alguns meses atrás, quando estava trabalhando no Ecuador.

Sim, continuei viajando. E o “plano” de ir até o Perú e depois seguir para a Patagônia mudou.

Fronteira Ecuador-Colombia

Chegando no Ecuador, em 21 de fevereiro de 2015, logo na primeira cidade, Cuenca, fiu roubado. Um belo dia saĩ para comprar umas coisas no mercado e preparar meu almoço e deixei tudo dentro do armário com cadeado para esvaziar a mochila e poder trazer as coisas do mercado e quando voltei um fdp tinha quebrado o cadeado e levado tudo.

Tudo, o quê? Você está se perguntando… Tudo o que você coloca no locker porque, bem, é o locker. Você está seguro. Notebook, câmera, dólares comprados à R$ 1,73, backup com as fotos da Bolívia e o Perú que você não fez upload por falta de internet, por falta de boa internet ou por preguiça ter algo sempre mais interessante que fazer upload de fotos quando se está viajando.

Não quero entrar em tudo o que aconteceu agora para evitar a bad vibe, mas passei boa parte desses meses todos trabalhando no Ecuador e consegui recuperar quase tudo, exceto as fotografias.

Hoje de manhã cheguei aqui em Cali, Colômbia e quero atualizar o blog novamente, mais como um registro pessoal da minha experiência com algumas reflexões a respeito e da viagem que estou fazendo pela América do Sul há mais de dois anos.

 

Valle Calchaquí

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Viajar pelo Valle Calchaquí foi uma grande surpresa. A ideia veio quando ainda estava no Brasil fazendo wwoof em Rolândia. Lá conheci a Belén, uma argentina que estava viajando pelo Brasil e que me sugeriu o roteiro.

Maquete do Valle Calchaquí no Museu Pachamama
Maquete do Valle Calchaquí no Museu Pachamama

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O norte da Argentina é cheio de montanhas grandiosas e picos nevados. As pessoas tem uma característica mais próxima dos povos originais que lá viviam do que do tipo europeu de Buenos Aires. Além disso, e é muito mais barato!

Desde que cheguei na Argentina, percorri todo o caminho até a fronteira com a Bolívia pegando caronas, que é muito fácil e seguro- a não ser saindo de grandes cidades como Rosário e San Miguel de Tucumán, que me indicaram pegar um ônibus até uma cidade próxima e de lá pegar carona.

Nessas estradas conheci muita gente interessante, alguma das quais fui reencontrando pelo caminho, já que todos subiam pela mesma estrada, que ao final do vale vai cair na Ruta 40, a famosa estrada nacional que corta toda a Argentina de norte à sul.

Fui seguindo  a estrada sem muito planejamento. Achar hostels baratos é algo que se vai aprendendo pelo caminho e usualmente são nos mais baratos que se encontram as pessoas mais interessantes.

Logo se chega à conclusão que as paisagens deslumbrantes são um mero coadjuvante diante das pessoas que cruzam seu caminho. E que é isso o que realmente importa.

 

Museu Pachamama

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Visita ao Museu Pachamama em Amaicha del Valle. Agosto de 2014.

 

Ruínas de Quilmes

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Visita às Ruínas de Quilmes, no Valle Calchaquí, com Ceran Ferrey e três portenhos perdidos. Julho de 2014.

 

 

Amaicha del Valle

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Saindo de Tafí del Valle, peguei carona com uma família muito gentil para Amaicha del Valle, ainda dentro do Valle Calchaquí.

Amaicha é uma cidade muito pequena, quase uma vila, mas que serve de base para visitar as Ruínas de Quílmes e onde se encontra o Museu Pachamama.

Quando cheguei tratei de procurar um lugar para ficar, já estava quase escuro e a temperatura começava a cair. Fui para a praça principal (aliás, a única da cidade) para encontrar os amigos hippies que fiz quando estava em Tafi del Valle, como não encontrei ninguém preferi dormir uma noite em uma hospedagem próxima ao invés de montar minha barraca no escuro de um camping sem água quente!

(Infelizmente, por um problema no cartão de memória perdi as fotos da cidade).

No dia seguinte, após um típico café da manhã argentino, fui andar na praça, onde acabei conhecendo um americano que vivia na cidade. Estava na casa dos 60 anos e disse ter lutado na guerra do Vietnã, mas que decidiu morar em Amaicha depois que a ayahusca curou seu câncer de estômago. Trabalhava fazendo pequenos reparos nas casas e com a aposentadoria de 900 dólares que o governo americano lhe pagava como veterano de guerra. dinheiro mais que o suficiente para viver por ali.

No meio dessa conversa, de repente, surge do nada um outro viajante de mochila nas costas, que começa a falar alto comigo em alemão. A única coisa que entendi foi “facebook”. Ao se aproximar e explicar a situação, tudo se esclarece. Em primeiro lugar não é alemão, mas um francês falando inglês.No geral franceses falam um inglês terrível!

Depois que comecei a entender o que dizia, já havía me despedido do americano, e estávamos sentados num banco da praça. acontece que quando fiz couchsurfing em Rosário, a minha host, Bela, havia me dito que tinha um outro sujeito solicitando estadia, mas preferiu me escolher pois eu tinha data certa para chegar. Esse sujeito é este francês que viu meu perfil no facebook da Bela e disparou acusações de roubo de couchsurfing no meio da praça de Amaicha del Valle três semanas após o ocorrido.

Ficamos amigos e combinamos com outros três portenhos de  visitar as Ruínas de Quílmes.

 

Ceran Ferey e eu nas Ruínas de Quilmes
Ceran Ferey e eu nas Ruínas de Quilmes

Essa foto, enviamos para a Bela em Rosário, que prometeu estadia para o Ceran se passase por ali novamnete.

No dia seguinte fomos às Ruínas de Quílmes, veja o álbum aqui.

Na volta do passeio, Ceran se despediu e seguiu para o norte.

No dia seguinte, logo de manhã, os portenhos foram à minha barraca para a praça onde um “loco” chamava a todos os mochileiros da cidade para sua casa, com estadia grátis. Andrés convenceu uns 30 mochileiros de diferentes paises para sua casa, muito simples, perto da entrada da cidade. Quando cheguei lá encontrei Xanina, uma cordobesa que conheci em Tafí del Valle. E todos juntos com 10 pesos por pessoa armamos a maior festa da cidade! Com comida feita na fogueira, vinho patero e  fasos.

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Dois dias de festas depois resolvi tomar caminho numa manhã de extrema ressaca.

Tafi del Valle

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saindo de San Miguel de Tucumán, entrei nos Valles Calchaquíes por Tafi del Valle, uma cidade muito gostosa com picos nevados e 2º graus negativos pela noite. junho de 2014.

Icho Cruz, Tala Huasi e o rio San Antonio

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no domingo (24 de agosto) depois da excursão fui conhecer o povoado de Icho Cruz e o rio que passa por ali. fica tudo meio colado indo mais ou menos pra sudoeste de Carlos Paz: San Antonio de Aredondo, Mayu Sumaj, Villa Icho Cruz, Cuesta Blanca. pro norte do rio por Icho Cruz tem ainda outra comuna (comuna são as localidades que nem povoados são e por isso não têm intendencia), mas ainda assim são independentes), chamada Tala Huasi.

fui com uma moça que conheci pelo Couchsurfing, numa postagem perguntando por companhias pra caminhadas pela região. ela é de Buenos Aires mas está há alguns meses morando em Villa Allende, ao norte da cidade de Córdoba.

tomamos o ônibus na rodoviária de Carlos Paz e descemos no que devia ser a parada principal de Icho Cruz. seguimos em direção ao rio e cruzamos pra Tala Huasi.

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ali um monte de casinhas de veraneio e chalés. e ninguém nas ruas. ninguém nas casas, também. o vento frio depois daquela inesperada chuva na sexta-feira anterior. mas o lugar uma lindezinha. o rio, como todos parecem ser aqui pela região, de uma água transparente. nos seguia sempre algum cachorro.

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fizemos uma parada à beira do rio para um mate e depois de rodar bastante (sobe morro desce morro passando por o que deve ser um bairro novo em construção) fizemos uma segunda parada para almoçar, também em outro ponto de balneário.

tem mais fotos no álbum dos arredores de Carlos Paz.

o Pablo tinha me dito que Icho Cruz era desses pueblos de ruta, mas a verdade é que gostei demais do lugar. foi pra minha lista de lugares pra morar. a lista está crescendo.

excursão: Alta Gracia, La Cumbrecita, Villa General Belgrano e o Valle de Calamuchita

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porque pra todas as possibilidades de trekking é baixa temporada e não tem gente suficiente pra fazer. combinei com o Pablo pra gente ir no sábado do dia 30 de agosto fazer a trilha da Quebrada de los Condoritos.

aproveitei então uma dessas excursões que vendem nas agências da rodoviária (dessas com mil paradas e um guia fazendo piadinhas no microfone do ônibus) pra conhecer La Cumbrecita e Villa General Belgrano, dois povoados alemães/centro-europeus, bem gringos (e bem lindinhos) no dia 23 de agosto. a vantagem da excursão é que La Cumbrecita por exemplo é muito fora de mão e ônibus pra lá só sai de General Belgrano e pra General Belgrano só sai da cidade de Córdoba. enfim a excursão não era tão cara: 200 pesos (o câmbio oficial está por 3,60 reais, mas eu ainda tinha os pesos que troquei por um equivalente a 5 por 1 em Buenos Aires).

era um ônibus grande cheio de gente e um guia cordobês com umas piadinhas bem ruins e machistas, mas ok, vamos que vamos. o dia depois de uns chuviscos de madrugada amanheceu todo neblinoso e a primeira parada em Alta Gracia foi, digamos, blancusa. a cidade de Alta Gracia tem uns 50 mil habitantes, segundo o guia, mas naquele sábado estava quase deserta. ali tem o museu-casa do Che e é um lugar que surgiu de ocupação jesuíta, e talvez por isso tem toda uma pinta de cidadezinha do interior paulista.

o centro tem a igreja, a praça, um lago artificial. achei tudo muito gracinha.

segunda parada: dique Los Molinos. neblina neblina. dava pra ver pouco. o cenário tem sua beleza, assim, mas sem dúvida se vê menos do que seria um dia de sol. comprei queijo com aji molido (tipo chili). hm, queijo.

aí enfim rumo a La Cumbrecita. no caminho o ônibus vai passando por umas vilas lindas: Villa Anisacate, La Bolsa, Los Aromos. todos lugares que eu tenho vontade de voltar com calma e conhecer e perguntar quanto custa o aluguel. me apaixonei por essa região toda; o nome é Valle de Calamuchita (fica mais ao sul de Carlos Paz e do Valle de Punilla).

La Cumbrecita é um povoado inesperado no meio das montanhas, a cerca de 1400 metros de altitude. carro só circula em horários determinados e durante o dia é uma vila de pedestres. todas as placas são de madeira e na verdade há qualquer coisa ali que faz parecer uma vila de mentira, um grande cenário. assim que chegamos as nuvens se dissiparam. ou estávamos acima de todas elas. fato é que fazia sol, e estava calor.

la_cumbrecita

estava rolando um evento de corrida e a vila estava cheia de gente, atletas e simpatizantes, e pelas ruas e caminhos sempre passava alguém num trote esbaforido com a camisa da competição e o número pregado na barriga (porque veja bem que estamos no meio das montanhas e muitos altos e baixos).

tínhamos três horas pra gastar por ali. peguei informações no centro de turistas e com o mapa fui atrás das trilhas que levam a pontos de balneário do arroyos que passam nos limites do povoado. tinha levado o que sobrou da pizza que fiz na noite anterior e comi feito sanduíche num desses pontos na beira do rio. porque almoçar por ali me sairia muito caro e me tomaria muito tempo.

comendo_uma_ex-pizza_em_la_cumbrecita

lago_de_las_truchas

as três horas bastaram pra conhecer toda a vila, mas claro que é lugar pra se ficar uns dias.

as fotos da excursão estão publicadas no álbum do Valle de Calamuchita!

então subir no ônibus e seguir para Villa General Belgrano: segundo lugar mais alemão da América do Sul, parece, perdendo justamente para Blumenau. inclusive terceira maior oktoberfest do mundo, perdendo claro pra qualquer cidade alemã de verdade (não sei qual é) e Blumenau (a segunda maior do mundo). inclusive o povoado já está todo pronto pra outubro.

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passa ali o arroyo Los Sauces, que é uma gracinha (vê-se que eu sempre fujo do centro e vou atrás do rio).

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ali tínhamos só uma hora, que eu usei pra ir até o rio e comprar umas cervejas artesanais (tem tipo 50 mil marcas de cerveja artesanal, e eu escolhi portanto aquela que aceitava cartão de crédito). depois subir no ônibus e bora voltar a Villa Carlos Paz. ufa ufa.

primeiros dias em Villa Carlos Paz

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tomei o ônibus pra Carlos Paz desde a rodoviária de La Falda dia 19 de agosto, terça-feira depois de fim de semana largo de feriado. Villa Carlos Paz é um povoado maior, praticamente cidade mediana, outro ponto mui turístico da região, que no verão fica cheio de gente. não entendo muito sair de cidade pra passar férias em outra cidade. mas é assim: muitos chalés, apartamentos pra temporada, hotéis e casas de veraneio. assim no inverno é uma cidadezinha pacata; embora inverno inverno não posso dizer, que nos meus primeiros dias aqui um calor de 30 graus.

a cidade como bom balneário tem esse turismo de compras e restaurantes, um centrinho cheio de lojinhas e parillas. num final de quinta-feira veio o Pablo (quem tiver meu livro A última expedição vai ver que esses nomes todos estão lá no final nos agradecimentos que foi gente que me acompanhou na reta final da escrita do livro em 2012) outro amigo da cidade de Córdoba e subimos o Cerro de la Cruz, pertinho daqui onde estou hospedada.

é uma via crucis e, como convém, uma subidinha matadora enquanto você vai lendo que Jesus cai pela terceira vez (e pensa: eu não me levantava) etc. subimos eram seis da tarde passadas e vimos pelo caminho o sol se pôr atrás das Altas Cumbres. chegamos no topo já no lusco fusco do fim do dia e descemos com lanterna. o caminho é pedregoso mas bem marcado.

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depois, claro, uma cerveja e pizza. fazia um calor de caminhar de bermuda pelo centro à noite. boa companhia quando a cidade grande (Carlos Paz pra mim é grande o suficiente) começa a me engolir.

sierras de Córdoba: Valle Hermoso e arredores

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na verdade acabei ficando por Valle Hermoso mais tempo do que eu pretendia. porque de repente não estava mais com vontade de seguir adiante para o norte e Bolívia e Peru. de repente tinha vontade de parar um pouco e precisava pensar no que fazer dos próximos meses.

Valle Hermoso fica perto de um povoado um pouco maior chamado La Falda, numa área chamada Valle de Punilla (a oeste das Sierras Chicas). toda a região é turística, as serras de Córdoba, e os argentinos vêm de todos os lados pra cá no verão pra curtir os balneários dos rios. porque isso de ir pra lugar frio nas férias é coisa de brasileiro. os argentinos vão é atrás do calor.

ameaça de chuva passou atrás das Sierras Chicas.
ameaça de chuva passou atrás das Sierras Chicas.

por aí conheci La Falda (fica colada em Valle Hermoso) e um dia saímos para caminhar num lugar chamado Vaquerías, que tem algumas trilhas e modestas quedas d’água (num fim de semana de calor inesperado coisa de 30 graus em inverno cordobês). meu amigo Luciano num dia desses me levou pra dar uma volta de carro pros lados de Cosquín, dei umas voltas por Villa Giardino, La Cumbre, Los Cocos, pela comuna de Casa Grande e comecei a considerar seriamente viver pr’aqueles lados.

rio Cosquín.
rio Cosquín.
centro de Valle Hermoso.
centro de Valle Hermoso.

também visitamos San Marcos Sierras, no norte do vale, um povoado de rua de terra cheio de hippies e portenhos com um riozinho hermoso. outro lugar bom de morar. ali perto tem também Capilla del Monte, outro ponto turístico bastante de moda e por isso também um pouco mais caro.

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mais fotos da região estão no álbum!

fiquei umas três semanas.

dia de arrumar o jardim com Kitty, a gata.
dia de arrumar o jardim com Kitty, a gata.

aproveitando também pra escrever um conto pra mandar pra uma coletânea de Sherlock Holmes, da Editora Draco. e fiz uma tatuagem com um tatuador genial, único tatuador de La Falda, agradável surpresa. recomendo.

dibujando

aliás, por falar em verão inesperado os últimos dias que estive aí foi como se a primavera chegando fora de hora. trinta graus, trinta e três.

ainda não sabia (ainda não sei) que fazer com os próximos meses. em Villa Carlos Paz me esperava a Gracinha, amiga da família do meu pai, que me ia emprestar um apartamento que ela aluga por temporada.